Coletivo FeFepeNeMê

Pelo norte, pela mata movimentando-se em movies, cibernéticocanavial, via do futuro que já é presente pelo pretérito tóxico, ou pelo que virá de verde Coletivo FeFepeNeMê, refaçamos o que está desnorteado, porque há norte! Há uma universidade de pernas magras mas de nervos firmes! Há baque solto no ar.

2006/07/06

A SELEÇÃO!


É sempre assim. Época de copa do mundo, quase todos viram treinadores prontos a escalar o time certo que vença a competição e traga, mais uma vez, o título para o Brasil. Sem querer especular sobre a equipe ideal, me ponho a pensar num plantel que conheço, aqui mesmo do bairro. Não é lá uma seleção de craques, como aquela que está em campanha na Alemanha. Longe disto. Mas são jogadores que há alguns anos, sempre que posso, os vejo driblar, fazer jogadas criativas, suar a camisa.

Dos laterais, um é pedreiro, o outro vende amendoins e ovos de codorna nos bares, como atividades principais. Os Meias são garçons numa cooperativa. O volante é cobrador no sistema de transporte complementar da cidade. O seu motorista é um dos zagueiros do time. Os pontas, uma dupla de cunhados eficientes que se revezam numa banca de jogo do bicho, junto a um fiteiro. A dupla de zaga se completa com um rapaz que, não sei ao certo, vive a passear quase todas as manhãs com um coleiro pelas ruas do bairro. Dizem ter pendências com a justiça e o exército brasileiro.

No geral, eles têm seus talentos individuais resguardados. Mas pensando bem, se o grupo se reúne, o problema é o entrosamento. Pode pesar muito o lado emocional, sabe? E só em pensar numa partida, o time perde feio.

O centroavante, longe de qualquer coincidência com outros times, chamam de gordo. Tem contrato temporário com a prefeitura local. Cuida de uma praça do bairro. O assisti jogar várias vezes. É bom piadista. Mas parece um morto em campo. Banheirista sem igual.

Já o goleiro é um rapaz sorridente. Esguio. Está desempregado há anos. A esposa espera nascer o quarto filho. Semana passada, o vi chegar com uma tevê de 29 polegadas sobre o ombro. Parou no boteco a fim de tomar um trago e convidou todos a assistirmos aos jogos da copa na frente de sua casa. Respondi que se a seleção brasileira passar para segunda fase, irei torcer por lá. Ele sorriu, disse ficar no aguardo e seguiu com aquele peso.

São uns guerreiros, esses brasileiros, não?

Pra frente, Brasil!

WALTER RAMOS DE ARRUDA (Mestrando em antropologia pela UFPE.)

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